quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Uma análise do texto: O pomo da discordia e o fruto poibido Dermeval Saviani


COMPETÊNCIA POLÍTICA E COMPROMISSO TÉCNICO
Uma análise do texto: O POMO DA DISCORDIA E O FRUTO PROIBIDO
 Dermeval Saviani 

O livro escrito pela escritora Guiomar Mello, tem por seu mestre Dermeval Saviani a feliz manifestação de transformar o “pomo da discórdia” em um artigo que desmitifica  as polemicas de uma imagem equivocada feita pelos leitores dos livros de Guiomar e Paolo, livros quais devem ser verificados e não criticados por suas divergências, de dois pensamentos que hora se encontram, hora são contrários.
Segundo Guiomar, competência técnica atende a várias características, em primeiro lugar o domínio do saber escolar a ser transmitido e organizado; entendimento das múltiplas relações entre os vários aspectos da escola, relações entre o preparo técnico que recebeu; a organização da escola e os resultados de sua ação; a compreensão mais ampla entre escola e sociedade ( trabalho e remuneração). Fica evidente que para ela “competência técnica” tem um caráter não tecnicista, compreende o domínio teórico e pratico de certas regras externas simplificadas e aplicáveis mecanicamente a tarefas fragmentadas e rotineiras.
Oura face do “pomo da discórdia” consiste em realiar a tese da neutralidade da técnica, esvaziando-a de seu sentido político, algo que foge do que pensa a autora, já que ela acredita que a escola este impregnada de ponta a ponta pelo aspecto político, e que esta está a serviço de uma sociedade capitalista que entra em disputa pela apropriação do conhecimento.
Analisando as duas questões é que a autora afirma que, justamente porque a competência técnica é política, é que se tem uma competência técnica dos professores, o que impede o saber escolar para as camadas dominadas já que o saber é transmitido de modo difuso e contraditório. Por essa motivo, acredita que o professor foi esvaziado do conteúdo(saber), o método (saber fazer), restando- lhe uma técnica sem competência, porém, é preciso deixar claro que essa falta de “competência” não é culpa do professor, eles assim como as crianças, são vítimas de uma situação social injusta e opressora.
Existe uma convergência de pensamentos com relação a essa questão política dos professores, Paolo e Guiomar, acreditam que para  reverter essa questão  é preciso uma organização coletiva dos professores, a reapropriação do saber curricular escolar, incluindo o domínio  de técnicas e métodos de ensino.
A escola tem uma posição de grande contribuição para esse processo, de cumprir sua função política a favor da classe trabalhadora, esse papel se cumpre pela mediação da competência técnica, realizando bem aquilo a que se propôs de ensinar a todos os que a ela tem acesso e estender aos até agora excluídos.
Paolo não teme a competência técnica, mas o significado que poderão lhe atribuir, ele acredita que uma “nova competência técnica” deve ser produto de lutas coletivas dos professores, politicamente organizados e articulados aos interesses dos trabalhadores, deve ser uma competência pedagógica mais crítica que denuncia as concepções anacrônicas e elitista da tecnologia educacional dominante.
O “ fruto proibido” artigo de Paolo, trata do compromisso político como  horizonte da competência técnica, seu primeiro temor que agora acaba indo por água abaixo, foi um temor ao retorno de um novo tecnicismo pedagógico disfarçado, sua solução para isso foi apontar a necessidade de historicizar o conceitos de competência de acordo com as diferentes culturas, no caso a da cultura- histórico proletária. Como fazer isso? O caminho prioriza a reflexão crítica e análise polêmica, pois somente a partir daí será possível definir novos processos técnicos que pressupõem uma explicita e coletiva preocupação histórica.
Além desse processo, é preciso dar uma nova interpretação a incompetência pedagógica, uma nova interpretação do sentido de bom senso dos professores, uma nova visão do papel assistencialista do professor, visão da impotência dos professores, incompetência e resistência, nessa nova interpretação o professor entende como saber – fazer dentro de uma determinada linha política.
Trata-se de aprofundar e socializar a competência pedagógica decorrente das concepções elitistas e a tentativa de elaborar e organizar politicamente os professores para novas técnicas e metodologias de ensino.
Esse novo trabalho de reflexão crítica e de análise polêmica é um processo longo, passa por criticas cerradas e finalmente as técnicas deverão ser submetidas as provas práticas. Como convergência entre os autores podemos dizer que a concretização do compromisso político é pelo saber fazer que as intenções gerais se materializam, porem esse saber fazer não pode ser considerado em si, neutro, os elementos técnicos são determinados por processos históricos.
A prática do professor deve ter um sentido político sempre, independente da consciência de seu significado, e tem para Paolo uma grande importância o adjetivo novo, todas as coisas devem ser repensadas para ganhar um novo sentido pautado na realidade da classe trabalhadora.
Os mesmos que temem a competência técnica são os que temem o compromisso político, apropriar-se e viver essas questões é entender que uma não pode existir sem  a outra.
Para Guiomar, a classe trabalhadora, deve apropriar-se do saber que não é apenas burguês, mas que atende essa classe, desarticulando os interesses burguês e colocando- a serviço de seus interesses, já Paolo pensa que, isso não é suficiente, enquanto o saber for dominado pelo burguês, o proletário deve criticar esse saber, colocando o ponto de vista da “cultura- histórico proletária” o que fará emergir um novo saber escolar e por consequência uma nova competência técnica.
É interesse exclusivo da classe proletária desvelar os mecanismos de exploração, essa ação começou a ser desenvolvida com a concepção de cultura por força de trabalho crítico já desenvolvido, enquanto ao saber universal, ainda apresenta uma concepção metafísica (abstrata e aistórica) e necessita resgatar suas raízes históricas, pois é assim que ocorrerá o resgate do saber.
Tanto a crítica quanto a denuncia devem ser aprofundadas e atingir um novo patamar, parafrasenando Gramisci, o autor nos coloca na fase romântica, na defesa do compromisso político em educação, a fase clássica passa ser vigente, a partir do momento em que for encontrado fins para atingir as formas adequadas de elaborar e realizar essa competência política, que para atingir precisa da competência técnica e  competência política, por meio da reapropriação do saber pela classe trabalhadora, um conhecimento elaborado e acumulado historicamente.

O texto por si deixa claro que as ideias centrais de ambos os autores são convergentes, salvo os caminhos que hora são complementados por trilhas diferentes.
O que importa é a visão de que uma nova cultura- histórica e proletária deve ser incorporada as escolas a fim de superar o romantismo, romantismo esse que foi decretado como “ o conhecimento que deve ser alcançado” é aquele que mantem o capitalismo e todos seus agregados, os tornando de forma manipuladora como sendo os desejáveis e corretos.
É por esse motivo que vemos hoje nas escolas a contradição dos fatos e até mesmo uma visão errônea e excludente do saber que faz com que grande parte dos alunos se simtam inseguros, desmotivados, fora de uma pequena parte da população que é hoje a que detém parte do que era para ser realmente acessível e publico.
Pensar o que é político em educação, posicionar-se politicamente e a partir daí desenvolver  novas competências técnicas é realmente um caminho, ainda que desafiador, um caminho que tem na educação as portas abertas para fazermos diferente por nossos alunos, tornando um pequeno grupo dentro de um todo que, poderá sim fazer a diferença no mundo. 

Bárbara Pavez

Leia o texto na integra!




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